SER INFANTIL  escrito em segunda 15 novembro 2010 22:35

Há sempre uma criança escondida em algum lugar. Isso porque aquela velha brincadeira de esconde-esconde ainda existe, e o adulto sensível que se permitir afrouxar a gravata e brincar um pouco, certamente corre o risco de acabar encontrando uma criança sapeca num lugar muito bacana: dentro de si mesmo.

 

       Quem é amante das letras e das artes (poesia, música, pintura, etc.) já deve ter, algum dia, ouvido falar e concordado com a ideia de que o artista não tem sexo. Com efeito, esse é um fato antigo já conhecido na época do Trovadorismo: as Cantigas de Amigo, apesar de o eu-lírico expressar, entre outras, a saudade e a angústia de camponesas pela ausência de seus amados, eram, na verdade, de autoria masculina. Ainda hoje temos ótimos poetas, como, p.ex., Caetano Veloso e Chico Buarque de Holanda que, em algumas de suas obras, parecem conhecer o universo feminino melhor que muitas mulheres. O mesmo acontece com artistas mulheres em relação ao universo masculino. Nesse sentido talvez seja certo dizer, ainda, que além de sexo, o artista também não tenha cor, nacionalidade, classe social, etc... Lembrando Mario de Andrade:

 

 (...) O assunto poético é a conclusão mais antipsicológica que existe. A impulsão lírica é livre, independente de nós, independente da nossa inteligência. Pode nascer de uma réstia de cebolas como de um amor perdido.

 

        Fechando novamente o foco sobre o tema proposto - a poesia infantil - é interessante concluir que, de tudo o que um artista, poeta, mulher, homem, ser humano deve ou não deve ser quando expressa sua vida e sua arte, seja esta o tipo que for, que não se esqueça de ser um pouco criança, e isso não é tão difícil: basta soltar a gravata e brincar de esconde-esconde com a poesia que mora em seu peito.

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Ziraldo comemora os 40 anos de 'Flicts', seu primeiro livro infantil.  escrito em sábado 03 outubro 2009 21:23

Blog de poesiainfantojuvenil : Poesia Infanto-juvenil, Ziraldo comemora os 40 anos de 'Flicts', seu primeiro livro infantil.

"Não tinha a força do Vermelho

não tinha a imensidão do Amarelo

nem a paz que tem o Azul

Era apenas o fragil e feio e aflito Flicts"


Obra lançada em 1969, Flicts completou seu 40º aniversário neste ano. Por esse motivo a Editora Melhoramentos lançou uma edição comemorativa na XIV Bienal do Livro. Além de Flicts, a cor que procurava seu lugar no mundo, essa nova versão traz em detalhes como foram a recepção da obra na época e sua repercursão na trajetória internacional.

 

Apesar de ser mais conhecido pelo Menino Maluquinho, personagem que ganhou as telas dos cinemas e que faz parte da infância de milhoes de brasileiros, foi com Flicts que Ziraldo fez mais sucesso internacional. Há versões lançadas nos Estados Unidos, Inglaterra e Japão. Tanto nessa obra como naquela, Ziraldo mantém sua principal característica: a simplicidade. E ele garante que o segredo para fazer sucesso com as crianças não mudou. Em suas palavras:


Há uma diferença na literatura infantil, um fenômeno que é muito curioso e que dá uma sobrevida aos livros. Os pais que tiveram a infância marcada por alguma obra querem que seus filhos leiam as mesmas coisas que eles leram quando eram crianças, por isso dão de presente para eles os mesmos livros.


Uma vez um pai de uma criança veio para mim, muito emocionado, pedir que eu autografasse um livro para o filho dele. Eu dei o autógrafo e ele me explicou que o filho tinha crescido lendo meus livros, assim como ele próprio. Só que, depois, ele também me contou que estava falando literalmente do mesmo livro. Ele tinha guardado o livro a vida inteira dele e depois dado ao seu filho. Fiquei muito feliz com aquilo.


Ziraldo Alves Pinto nasceu no dia 24 de outubro de 1932 em Caratinga, Minas Gerais. Começou sua carreira nos anos 50 em jornais e revistas de expressão, como Jornal do Brasil, O Cruzeiro, Folha de Minas, etc. Além de pintor é cartazista, jornalista, teatrólogo, chargista, caricaturista e escritor. O nome de Ziraldo veio da combinação criativa dos nomes de sua mãe, Zizinha, com o de seu pai, Geraldo. Ziraldo Alves Pinto era o mais velho de uma família de sete irmãos. Agora, com  mais de 70 anos, Ziraldo apresenta uma nova personagem, a Menina das Estrelas, que vem para mostrar que literatura infantil também é coisa para adulto.

Sendo assim, professores, não deixem de ler e sugerir a seus alunos.   

 

Querem saber mais sobre Ziraldo? clique aqui: www.ziraldo.com.br

“O O Menino Maluquinho
Ziraldo
Editora Melhoramentos  

 

“A A Menina das Estrelas
Ziraldo
Editora Melhoramentos

 

“Almanaque

Almanaque do Ziraldo
Luis Saguar e Rose Araújo
Editora Melhoramentos       

 

 

 

                                 

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O SÍTIO DE MONTEIRO LOBATO  escrito em 

Blog de poesiainfantojuvenil :Poesia Infanto-juvenil, O SÍTIO DE MONTEIRO LOBATO

Hoje veremos um pouco a respeito de um autor que não poderia,de modo algum, estar ausente num blog sobre literatura infantil. Seus personagens principais,como: D.Benta,Emília,Visconde de Sabugosa,

etc., foram cuidadosamente construidos e formam com todos os outros um incrível mundo encantado. Nada como participar desse mundo lendo alguns de seus livros; vestindo a camisa de receptor/destinatário de Monteiro Lobato,o criador da boneca de

pano mais esperta do planeta.

     

      As peraltices de Emília; sempre opnando sobre o que bem entende, as histórias de D. Benta, os quitutes de Tia Nastácia, Visconde de Sabugosa e suas sábias ponderações, enfim, cada personagem expressa um viés da genialidade do autor que, através deles, nos transmite sua criatividade, brasilidade e humanidade.


      Insatisfeito com as traduções da literatura infantil europeia, resolveu criar personagens bem brasileiros. Para isso inspirou-se, principalmente, nos costumes caipiras e no folclore nacional. Além disso acrescentou elementos da mitologia grega, do cinema e dos quadrinhos que, misturados aos conhecimentos de geografia, história, gramática e matemática que suas histórias transmitem,  possibilita ao leitor infantil chegar à adolecência com conhecimentos que adquire sem se dar conta; pioneiro na literatura paradidática, faz do aprendizado uma brincadeira.

 

       José Bento Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, São Paulo, a 18 de abril de 1882. Descendente de antigos fazendeiros de café do vale do Paraíba, cresceu junto à zona rural, interessando-se pelo homem e pelos problemas do campo. Cursou Direito na Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo e, durante sua formação, Lobato realizou as leituras básicas e entrou em contato com a obra do filósofo alemão Nietzsche, cujo pensamento o guiaria por toda sua vida.


      Monteiro Lobato adquiriu fama principalmente pela literatura infantil, gênero em que foi pioneiro no país. Os personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo representam satiricamente a sociedade patriarcal do interior, assim como o passado imperial. Na sua maior parte, a obra de Monteiro Lobato é o resultado da reunião de textos escritos para jornais ou revistas. Ele arrebatava o público com artigos instigantes; dono de estilo conciso e vigoroso, com forte dose de ironia, utilizava uma linguagem clara e objetiva, compreensível ao grande público.


      O livro que lançou Lobato foi A menina do narizinho arrebitado, porém, a maioria das histórias de seus livros infantis se passam no Sítio do Picapau Amarelo. As aventuras  acontecem, ora num mundo de fantasia inventados pelas crianças, ora em histórias contadas por Dona Benta no começo da noite que, na maioria das vezes,  tornam-se o cenário para o faz-de-conta.


      Tudo isso sem falar nos muitos Universos Paralelos1 das aventuras fantásticas de Emília que pegamos carona e, quando percebemos, já devoramos o livro inteiro. É difícil não querer repetir.


      Veja também, no vídeo abaixo, o que dizem os escritores  de literatura infantil: Fanny AbramovichLuiz Antônio Aguiar,

Marilda Castanha   e   Pedro Bandeira.

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O Sítio de M. Lobato - Continuação  escrito em domingo 01 novembro 2009 16:58

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FORÇA E FRAGILIDADE EM CECÍLIA MEIRELES  escrito em quarta 07 outubro 2009 02:18

Blog de poesiainfantojuvenil : Poesia Infanto-juvenil, FORÇA E FRAGILIDADE EM CECÍLIA MEIRELES

 

"Cecília, és tão forte e tão frágil. Como a onda ao termo da luta. Mas a onda é água que afoga:Tu, não, és enxuta"                                                             - Manuel Bandeira-

                                                          

Talvez  seja justamente quando a força da onda  termina na praia e, ao termo da luta, se torna frágil e serena, que encontraremos os poemas-infantis, construidos com muita sensibilidade, de um eu-lírico muito especial e criados por uma autora pra lá de especial: Cecília Meireles.


Com relação a este gênero, certamente não foi produzido com intenções de atingir o público infantil e, dessa maneira, ampliar seus leitores. Na verdade a ampliação ocorrente está na criatividade da autora que, em contato com a inocência e sensibilidade de um eu-lírico criança, encontra uma maneira sublime de se fazer poesia. Sem esquecer, é claro, que foram ondas vigorosas criadas pelo vento forte de sua inspiração que deram origem a todas as suas obras.


Jogos de palavras, aliterações e consonâncias são alguns dos elementos usados pela autora em seus poemas. Isso tudo misturado a seu ótimo estilo resulta em uma leitura prazerosa que convida meninos e meninas a brincar de poesia com seus versos. Nesta brincadeira, a criança acaba tendo, natural e espontaneamente, os primeiros contatos com seu aparelho fonador. Ou, poderia dizer, brinquedo fonador.


E, para conluir este pequeno texto, como para as crianças tudo é brincadeira, seria interessante facilitar-lhes o acesso à Cecília Meireles para se divertirem. Serão gratas e terão boas lambranças quando ficarem adultas.


Vejamos algums poemas da Poetisa dos Infantes.


 

 Colar de Carolina


   Com seu colar de coral,

              Carolina

  corre por entre as colunas

             da colina


     O colar de Carolina

    colore o colo de cal,

 torna corada a menina


  O sol, vendo aquela cor

   do colar de Carolina,

   põe coroas de coral

   nas colunas da colina.

 


 Rômulo Rema

    

 

    Rômulo rema no rio


  A romã dorme no ramo

    a romã rubra.(E o céu)


      O remo abre o rio

        Orio murmura.


   A romã rubra dorme

  cheia de rubis.(E o céu)


    Rômulo rema no rio.


      Abre-se a romã.


      Abre-se a manhã.


  Rolam rubis rubros no céu.


                  No rio,

           Rômulo rema.

 

 

Poemas encontrados em: /www.colegiosaofrancisco.com

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